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Almanaque por BRENO LERNER

O nome do prato: NHOQUE

Ícone italiano tem parentesco com iguaria judaica

A escritora italiana Anna Bini considera o nhoque o “Prozac dos italianos”: “Quando italianos comem gnoccho (gnocchi é plural), sentem-se crianças de novo”. Já no Decameron, de Boccaccio, a imagem de nhoques rolando sobre montanhas de queijo parmesão ralado é onírica. As origens do prato são imprecisas. Há quem o considere descendente do ravióli, de uma época em que este ainda não era recheado. Outros ressaltam a origem similar ao gefi lte fi sh dos judeus, minibolinhos de massa como alternativa de alimento barato das classes pobres que virou mania nacional. De certo apenas que seu nome deriva de gnec, nodo ou nocca (conforme a região ou dialeto), sinônimos de “tolo” ou “bobo”.
 

 

 

DATAS DO MÊS

2/2/1659 – Jan van Riebeeck, governador do Cabo da Boa Esperança, África do Sul, apresenta o primeiro lote de vinhos fabricados com uvas locais que foram plantadas em 1655

2/2/1880 – A primeira carga de carne congelada, no navio SS Strathleven, chega com sucesso a Londres, vinda da Austrália 3/2/1815 – A primeira fábrica de queijos do mundo com porte comercial é inaugurada na Suíça

11/2/1963 – Estreia na TV o programa The French Chef, de Julia Child

17/2/1876 – Sardinhas em lata são lançadas nos EUA – o produto já existia na França e Inglaterra
 

aBc DA GASTRONOMIA

Perdem-se na história as origens do hoummus.

Sabe-se que o grão-de-bico já era cultivado no Período Neolítico. Encontram-se registros de seu uso por babilônios, egípcios, gregos e romanos. A primeira receita conhecida é egípcia, da época do Médio Império, com o nome de pasta de her-bik, ou “pasta de bico de falcão”. Em 400 a.C., Platão e Sócrates fazem referências ao prato. Em 1200, os países mediterrâneos declaram o hoummus patrimônio local.

No Ocidente, especula-se que tenha chegado no início do século 20, com as emigrações do Oriente.

 

 

 

Chicória versão gourmet
Em 1850, um camponês belga descobriu que as raízes da chicória, quando cultivadas em ambiente abafado, quente e praticamente sem luz, produziam deliciosas folhas comestíveis.
Chamou as folhas de endívias.

 

RESTAURANTES MUITO LOUCOS                                                                                            

Quando a questão é a maior quantidade de comida, ninguém bate o bufê do Carnival World Buffet, do hotel Rio, em Las Vegas. São mais de 400 diferentes pratos, com culinária do mundo inteiro, servidos em regime “all
you can eat” e a preço fi xo (US$ 16,99 para o almoço, e US$ 24,99 o jantar).

 

O S’Mac, em Nova York (345, East 12th St), serve apenas um prato, o Mac & Cheese, invenção americana que na casa ganha doze versões, do clássico all american (macarrão ao queijo cheddar) ao exótico masala (com temperos indianos).
 

 

PESTO

A IGUARIA TIPICAMENTE ITALIANA, QUEM DIRIA, VEM DA... GRÉCIA!

O nome pesto deriva do verbo pestare, “amassar”. Sua história remonta à Grécia Antiga, onde já se fazia uma pasta de manjericão para dar sabor ao vinho. Em 1992 foi fundada, na Ligúria, a Confraternita del Pesto, fraternidade de “cavalheiros do pesto” que defendem a correta proporção dos ingredientes. A confraria só admite queijo Parmigiano-Reggiano (4 colheres), acrescido de duas colheres de pecorino. Manjericão, apenas do tipo Pra (Ocimum basilicum) e folhas de não mais que 3 cm (2 xícaras). Mais azeite extravirgem (6 colheres). Pinoli (2 colheres), um dente de alho e sal.

 

BRIGADEIRO

Já existia há muito tempo, no sul do Brasil – e era chamado de “negrinho”

Era uma época onde obter leite e ovos era muito caro e difícil, então alguém teve a ideia de fazer um doce a partir do leite condensado. Ficou nacionalmente conhecido por esse nome em 1945, quando as senhoras do comitê eleitoral do Brigadeiro Eduardo Gomes (campanha para a Presidência da República) faziam o doce e o distribuíam nos comícios e reuniões junto com o bordão de campanha: vote no Brigadeiro, ele é bonito e é solteiro... Na época, não se passavam as bolinhas em confeito, eram apenas enroladas e servidas. O brigadeiro não ganhou a eleição contra Eurico Gaspar Dutra, mas o nome do docinho ficou para a eternidade.

 

A montanha de vasos de azeite

O Monte Testaccio, ou Monte dos Testos, fica em Roma. Tem cerca de 50 metros de altura, e é resultante do acúmulo de cerca de 20 a 25 milhões de ânforas vindas das províncias para a capital do Império Romano,  carregadas de azeite do Oriente, ao longo dos séculos I, II e III.

 

O maior e o menor do mundo

Damascus Gate - Maior restaurante do mundo
O maior restaurante do mundo é Damascus Gate, em Damasco, Síria. São 6 mil lugares em 54 mil m2.

Mil e oitocentos funcionários trabalham no lugar, onde há duas cozinhas de 2.500 m2. Tem áreas externas e internas, tematizadas de acordo com o cardápio, que inclui comida chinesa, italiana, indiana e, claro, árabe.

Solo per Due - menor restauranteJá o menor é o Solo per Due, em Vecono, na Itália, a 65 km de Roma. Ele fica num charmoso casarão do século 19, construído com parte das ruínas da vila romana que pertenceu a Horácio. Na casa, tudo, das cadeiras do bar à louça e aos copos, é feito especialmente para duas pessoas – incluindo todas as salas minimalistas, “solo per due”.

Só atende por reservas feitas com muita antecedência. Uma refeição sai, em média, 250 euros por pessoa.
 

 
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