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Tintos do Rhône

 

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Desgastada nos últimos anos, a vinicultura do Vale do Rio Rhône começa a recuperar sua imagem

José Maria Santana

 
A vinicultura do Vale do Rio Rhône, na França, começa a recuperar sua imagem, desgastada nos últimos anos especialmente por abusos de comerciantes que se preocupavam mais com a quantidade que com a qualidade de seus vinhos. A região se divide basicamente em duas partes. O Rhône Norte tem clima continental, vinhedos em encostas, solos graníticos e, no caso dos tintos, predominância da uva Syrah. Já o Rhône Sul apresenta clima mediterrâneo, com solos mais planos, calcários, pedregosos, onde a liderança é da Grenache. As denominações (AOCs) podem ser genéricas, como a regional Côtes du Rhône e a Côtes du Rhône Villages, ou locais. Destas, há oito AOCs no Norte, entre elas Côte Rôtie, Hermitage, Crozes-Hermitage e Cornas; e cinco no Sul, como Châteauneuf-du-Pape, Gigondas e Vacqueyras. A produção regional é grande, e a qualidade varia, sem um padrão definido. Há vinhos excepcionais e outros medíocres. Por isso, é importante escolher produtores confiáveis, com alguma referência.

CÔTES DU RHÔNE DOMAINE ST. ESTEVE D'UCHAUX 2005
Gérard e Marc Français têm 60 hectares de vinhedos na região sul do Rhône, junto à Montanha d'Uchaux, acima de Avignon, onde o solo é arenoso e pedroso, com boa drenagem. Seu tinto genérico, mas bemfeito, leva 80% de Grenache, com reforço de 20% de Syrah, que lhe dá mais concentração. Os aromas limpos expressam frutas vermelhas, com alguma especiaria. Na boca, mostra corpo médio, taninos maduros e um conjunto sem arestas.
WINE HOUSE/ZAHIL, R$ 39

GIGONDAS CHAPOUTIER 2002
Michel Chapoutier assumiu a centenária empresa da família em 1989 e fez grande renovação. É um dos líderes do cultivo biodinâmico na França. Mescla no tinto Cinsault, Syrah, Mourvédre e Grenache, resultando em aromas ricos de cereja madura, cedro, eucalipto, resina e pimenta. Na boca, é daqueles vinhos com mais elegância que força, embora tenha boa estrutura. Oferece corpo médio, acidez agradável, taninos maduros, macios, fruta e final longo.
MISTRAL, US$ 49,50

CHÂTEAU SIGNAC CUVÉE TERRA AMATA 2001
A propriedade, junto a Chusclan, na denominação Côtes du Rhône Villages, pertence à família Amez-Droz. Seu tinto, com mais de Syrah que de Grenache, chama a atenção pela concentração, resultado também de uma maceração longa. Parte foi afinada em barrica, parte em tonéis de madeira. Os aromas lembram fruta negra, pimenta, ervas e tostado. Na boca, tem bom ataque, é amplo, com taninos firmes, maduros, boa fruta e final longo, trazendo algo de chocolate.
GRAND CRU, R$ 79

CÔTES DU LUBERÓN CHÂTEAU VAL JOANIS 2004
A histórica propriedade de 186 hectares no sul do Rhône, que já figurava em registros de 1575, pertence hoje à família Plancel e passou por intensa renovação nos últimos anos. Seu tinto básico, misto de Grenache e Syrah provenientes de vinhas com 25 anos de idade, é bem estruturado. Ao nariz, traz frutas maduras, tostado e alguma especiaria, enquanto na boca mostra taninos de boa qualidade e conjunto agradável.
CLUB DU TASTE VIN, R$ 66,70

CROZES-HERMITAGE ALAIN GRAILLOT 2005
Com o trabalho em sua propriedade de 20 hectares, Alain Graillot conseguiu elevar o prestígio da denominação. A produção é pequena e bem cuidada, expressando o melhor da Syrah no norte do Rhône, sua terra natal. Ao nariz, é complexo, com fruta madura envolvida por especiarias e tostado, além de um toque floral. Tem corpo médio, equilíbrio, taninos sedosos, doces, boa acidez e concentração de fruta. O final é persistente, elegante e agradável.
MISTRAL, US$ 65,90

CÔTES DU RHÔNE COUDOULET DE BEAUCASTEL 2002
Château de Beaucastel, dos irmãos François e Jean-Pierre Perrin, é um dos grandes nomes de Châteuneuf-du-Pape, mas brilha também em outras denominações da região, como mostra neste tinto que evolui com classe. Lote típico de Grenache, Mourvèdre, Syrah e Cinsault, com passagem de seis meses pelo carvalho, seus aromas são marcados por fruta e notas animais, terrosas. Em corpo médio, apresenta equilíbrio na fruta, acidez e álcool. Tem taninos de qualidade e bom final.
TERROIR, R$ 175
 

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