Home Brancos & Tintos Degustação A ótima da Sicília

A ótima da Sicília

Prova de vinhos com a uva Nero D'Avola revela: Rótulos mais caros recebem notas altas. Mas diferença não é grande em relação àqueles de preço médio.

A expressão virou lugar comum, mas é irresistível: o vinho com a uva Nero d’Avola exprime a alma da Sicília. E há muito tempo.

Credita-se aos fenícios o início do plantio de videiras na grande ilha ao sul da Itália, mas sabe-se com certeza que os gregos e depois os romanos expandiram essa cultura baseados na boa receptividade do solo e do clima locais, inclusive nas terras negras em torno do vulcão Etna.

Se o doce vinho Marsala também faz as honras da ilha, sobretudo a partir do século 18, a dócil Nero d’Avola traz uma certidão de nascimento inequívoca, embora não se consiga determinar a data com precisão. Os historiadores indicam com certeza que nos anos 800 o vinho feito com ela era exportado para a França, onde era usado para dar cor e corpo aos produtos locais menos vigorosos.

Esse estigma – servir apenas como vinho de corte – perseguiu a Nero d’Avola pelos séculos seguintes e, somente a partir da década de 1970, viticultores e vinicultores passaram a dar maior importância ao seu cultivo e a explorar suas virtudes. Hoje, cerca de 12 mil hectares são plantados na ilha, principalmente na província de Siracusa, em Eloro, Pachino e Noto. O clima quente realça a concentração de açúcar na Nero d´Avola e é comum, como pudemos observar nessa nossa degustação, um volume em álcool de 14% ou mais.

Isso determina vinhos com boa estrutura e frutados, mas sem taninos agressivos e acidez correta. Para a prova, reunimos 14 opções em que a presença da Nero d’Avola era obrigatória. A maioria é 100% com essa uva, mas há cortes com Syrah e pelo menos um que também recebe a companhia da Cabernet Sauvignon. GULA contou, para a agradável tarefa, com a colaboração dos enófilos Luiz Alberto de Carvalho e Ilton Magalhães, aos quais agradecemos. A pontuação média dos três degustadores (até 100) mostrou ao final que, embora os mais caros predominem nos primeiros lugares, a diferença não é tão grande em relação àqueles de preço médio.
 

A DESGUSTAÇÃO

Os vinhos estão apresentados de acordo com sua classificação em pontos.

LDRAPPO NERO D’AVAVOLA 2003
90
Da vinícola Benanti, esse belo vinho pode ser descrito como a essência da uva
que lhe dá origem. Com 13,5% de álcool, seu aroma e gosto marcados pela fruta
vermelha madura e intensa agradam muito. Os taninos são aveludados e o final
se expande, repercutindo por um bom tempo.
R$ 229 (Enoteca Fasano)

 

 

 

 

MAHÄRIS 2006
90
Do Feudo Maccari, este é um Nero d’Avola com 14,5% de álcool que ganhou a
companhia da Syrah e da Cabernet Sauvignon. Consequência: um vinho de forte
presença ao olfato, com notas de torrefação e cacau. Seu corpo cheio e defumado
mostra taninos redondos e longa persistência.
R$ 290 (Grand Cru)

 

 

 

 

 

CUSUMANO
SÀGANA 2006
89

Potentes aromas típicos da Nero d’Avola, com bastante fruta madura, ameixa seca
se sobressaindo. Corpo bem-estruturado, amadeirado e com taninos na medida
certa, assim como a acidez. Final longo.
R$ 180 (Inovini*)

 

 

 

 

 

SAIA NERO
D’AVAVOLALA 2006
89

Do produtor Feudo Maccari, mostra a tipicidade aromática da uva, com frutas vermelhas
maduras e cedro. Boa estrutura na boca, com taninos e acidez aprazíveis.
Os 14% de álcool não pesam. Final persistente.
R$ 130 (Grand Cru)

 

 

 

 

 

‘A NACA ROSSO 2006
89
Da vinícola Calatrasi, baseado na Nero d’Avola (95%), com aromas de frutas vermelhas
em compota e alguma lembrança de tabaco. Ligeiramente adocicado, próprio da uva.
Os taninos reagem bem à demanda, bem coordenados com os 14,5% de álcool.
R$ 169 (Ravin)

 

 

 

 

 

CUSUMANO
BENUARA 2007

88,5
Um Nero d’Avola com a presença sedutora da Syrah. Aromas bem--marcados de frutas
maduras, como a ameixa, e corpo que se expande bem na boca, com taninos gostosos.
Boa relação qualidade-preço.
R$ 78 (Inovini*)

 

 

 

 

 


 

IL MORO NERNERNERO
D’AVOLA 2004
88,5

Do produtor Valle Dell’Acate, com 13,5% de álcool. Frutas vermelhas em compota, mostrando
a idade.Taninos amansados, acidez suave, mas ainda reagindo bem na boca, com alcaçuz e
elegância.
R$ 113 (Vinea)

 

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