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Com pouco açúcar

 

“Meus doces pode comprar, os livros pode deixar. Porque os doces se estragam, e os livros não.” Cada freguês que procurava a Casa Velha da Ponte, em Goiás Velho (GO) – e eram centenas, diariamente – sorria ao ser recebido por essa bem-humorada quadrinha, ponto de partida para um dedo de prosa e um café fresquinho ao sabor dos deliciosos doces que Cora Coralina (1889-1995) elaborava no tacho de cobre fumegante, ali, na hora, à vista de todos. Para reviver esses sabores, o Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro abriga até março a maior exposição sobre vida & obra da poetisa, intelectual e escritora goiana, que, após viver 43
anos em São Paulo, retornou à terra natal aos 67 anos para só então ganhar a vida como doceira.

Trata-se de versão ampliada da mostra que recebeu mais de 400 mil visitantes em 2009 no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo. Receitas, fotos, livros, documentos, vídeos, está tudo lá, embalado no impacto visual da cenografia de Daniela Thomas e sob curadoria de Júlia Peregrino.

“O sucesso dos doces de mamãe tinha dois segredos: o ponto e o açúcar”, revela Vicência Bretas Tahan, 81 anos, filha de Cora – que autoatribuiu-se o nome artístico famoso por achar o de batismo, Anna Bretas, “muito comum”. “Mamãe não usava muito açúcar. Ela valorizava uma calda natural, seus doces eram glacerados nessa calda. O segredo era o ponto. Mesmo às vezes tendo alguém para ajudar, o ponto só ela dava. Fazia quase tudo sozinha”, diz Vicência.

“Dado o ponto, os doces eram postos para secar ao sol, o que também fazia diferença no sabor.” Vicência diz que Cora sabia as receitas de memória, “desde que via minha bisavó fazer, na infância”. Os mais pedidos?  “Abóbora, figo, laranja e mamão. Os únicos que ela fazia, aliás, ao lado de passas de caju, de vez em quando.”

Doce de Abóbora
(para iniciciados)

Ingredientes
Uma abóbora de bom tamanho, madura
Para cada quilo de abóbora, usar ½ kg de açúcar
Paus de canela e cravos-da-índia a gosto

Preparo
Descascar a abóbora, tirar as sementes e cortar em cubos
Colocar em água com solução hidrocal. Após dez minutos, lavar em água corrente
Preparar uma calda fina, que cubra os pedaços de abóbora
Ferver em fogo brando até amaciar, com paus de canela e/ou cravos-da-índia, e reservar.

Apurar no dia seguinte
Para apurar o doce glacerizado, retirar da calda os pedaços e pôr numa peneira de taquara para escorrer bem. Voltar a calda ao fogo para apurar mais um pouco
Passar os pedaços e colocar em tabuleiros que irão ao sol para secar

Importante: não mexer o doce para não quebrar os pedaços. Se precisar virá-los no tacho, fazê-lo cuidadosamente, um a um, com ajuda de um garfo


 

Cora Coralina – Coração do Brasil
CCBB – Rua Primeiro de Março, 66,
Rio de Janeiro – RJ. Tel: (21) 3808-2020.
De 11/01 a 13/03/2011; 3ª a domingo,
das 9h às 21h. Entrada franca

 

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