Alma chilena
Mônica Serra, a primeira-dama de São Paulo, traz na memória os pratos típicos de sua terra natal, como o pastel de choclo, herança dos índios mapuches
Patrícia Ferraz
A primeira-dama de São Paulo, Mônica Serra, é muito ligada em comida. Mas pensa no assunto, primeiro, por seu aspecto de saúde. Estimulada pelo filho mais novo, Luciano, há muitos anos passou a comprar alimentos orgânicos e produtos integrais. Com isso, ela e o marido, o governador José Serra, acabaram adotando também hábitos mais saudáveis, o que incluiu deixar de fumar e praticar exercícios. Entretanto, a comida também é, para ela, sinônimo de satisfação. "Gosto de comer, e aprecio de tudo, embora prefira os peixes à carne e ao frango", diz. "Acho importante que o prato seja colorido e esteja bem-arrumado." Mônica Serra ainda ressalta o aspecto emocional da cozinha: "A primeira coisa que recebemos quando chegamos ao mundo é o alimento, transmitido pelo seio da mãe, junto com amor".
Chilena, naturalizada brasileira em 1999, Mônica traz na memória o gosto das lentilhas preparadas pela avó Margarita e declara especial apreço pela culinária de sua terra natal. Freqüentemente, quando recebe em sua casa, oferece pratos típicos, como o pastel de choclo apresentado nesta reportagem de GULA. É uma das receitas mais populares do país, herança dos índios mapuches. Feita com milho ralado, leva uma camada de açúcar na superfície. "No começo, os brasileiros se chocavam com o sabor doce num prato salgado." Quando o assunto são as empanadas, Mônica Serra vai logo avisando que "as chilenas são melhores que as argentinas". Sem negar as raízes e o sotaque espanhol que ainda carrega, diz que "a diferença está no recheio". E explica: "No Chile, a carne é cortada bem fininha, em vez de ser moída, como na Argentina". Além disso, diz que a massa é mais leve e crocante."Não cozinho, mas sempre encontro uma chilena que saiba fazer o pastel de choclo e as empanadas."
Em São Paulo, quem faz os jantares típicos para ela é Ximena Del Carmen Badra Muñoz, que assina a receita de GULA. "Aprendi a preparar poucas coisas na cozinha, entre elas um quindim para agradar ao marido, ensinado pela minha sogra", conta a primeira-dama. Um de seus maiores prazeres gastronômicos foi saborear centollas frescas à beira-mar, em Punta Arenas, a cidade mais ao extremo do continente. Mônica Serra não é uma enófila, diz apenas que entende mais de vinhos que suas amigas. O fato é que ela acompanha com entusiasmo a evolução vinícola do Chile e cita com desenvoltura seus grandes produtores de tintos e brancos. É fã declarada da uva Carmenère, estrela da vinicultura de seu país. "Um tinto elaborado com ela não tem erro, vai bem com empanaditas de coquetel, com o jantar e mesmo para tomar sozinho."
À frente do Fundo de Solidariedade e Desenvolvimento Social e Cultural do Estado de São Paulo, Mônica Serra comanda três grandes projetos, entre eles o recém-lançado Alimentação para Saúde, uma iniciativa para estimular o consumo de talos, cascas e folhas que costumam ser mal aproveitados, embora contenham grande quantidade de nutrientes. Ex-primeira bailarina do Chile, psicóloga com mestrado nos Estados Unidos e doutorado pela USP, assessora pedagógica das faculdades FMU, a primeira-dama assumiu a presidência do Fundo Social sem deixar de lado o envolvimento com duas ONGs, o Instituto Se Toque, de prevenção ao câncer de mama, e o Arte Sem Fronteiras, que integra produtores culturais e intelectuais latino-americanos. Ainda encontra tempo para curtir o neto, Antônio, filho de Verônica, sua filha mais velha. O menino é fã de água-de-coco, que a avó não deixa faltar em sua casa.
Veja mais em RECEITA DE FAMÍLIA
PASTEL DE CHOCLO
Chilena, naturalizada brasileira em 1999, Mônica traz na memória o gosto das lentilhas preparadas pela avó Margarita e declara especial apreço pela culinária de sua terra natal. Freqüentemente, quando recebe em sua casa, oferece pratos típicos, como o pastel de choclo apresentado nesta reportagem de GULA. É uma das receitas mais populares do país, herança dos índios mapuches. Feita com milho ralado, leva uma camada de açúcar na superfície. "No começo, os brasileiros se chocavam com o sabor doce num prato salgado." Quando o assunto são as empanadas, Mônica Serra vai logo avisando que "as chilenas são melhores que as argentinas". Sem negar as raízes e o sotaque espanhol que ainda carrega, diz que "a diferença está no recheio". E explica: "No Chile, a carne é cortada bem fininha, em vez de ser moída, como na Argentina". Além disso, diz que a massa é mais leve e crocante."Não cozinho, mas sempre encontro uma chilena que saiba fazer o pastel de choclo e as empanadas."
Em São Paulo, quem faz os jantares típicos para ela é Ximena Del Carmen Badra Muñoz, que assina a receita de GULA. "Aprendi a preparar poucas coisas na cozinha, entre elas um quindim para agradar ao marido, ensinado pela minha sogra", conta a primeira-dama. Um de seus maiores prazeres gastronômicos foi saborear centollas frescas à beira-mar, em Punta Arenas, a cidade mais ao extremo do continente. Mônica Serra não é uma enófila, diz apenas que entende mais de vinhos que suas amigas. O fato é que ela acompanha com entusiasmo a evolução vinícola do Chile e cita com desenvoltura seus grandes produtores de tintos e brancos. É fã declarada da uva Carmenère, estrela da vinicultura de seu país. "Um tinto elaborado com ela não tem erro, vai bem com empanaditas de coquetel, com o jantar e mesmo para tomar sozinho."
À frente do Fundo de Solidariedade e Desenvolvimento Social e Cultural do Estado de São Paulo, Mônica Serra comanda três grandes projetos, entre eles o recém-lançado Alimentação para Saúde, uma iniciativa para estimular o consumo de talos, cascas e folhas que costumam ser mal aproveitados, embora contenham grande quantidade de nutrientes. Ex-primeira bailarina do Chile, psicóloga com mestrado nos Estados Unidos e doutorado pela USP, assessora pedagógica das faculdades FMU, a primeira-dama assumiu a presidência do Fundo Social sem deixar de lado o envolvimento com duas ONGs, o Instituto Se Toque, de prevenção ao câncer de mama, e o Arte Sem Fronteiras, que integra produtores culturais e intelectuais latino-americanos. Ainda encontra tempo para curtir o neto, Antônio, filho de Verônica, sua filha mais velha. O menino é fã de água-de-coco, que a avó não deixa faltar em sua casa.
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PASTEL DE CHOCLO
Publicada na edição 186 (Abril/2008) da Gula
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