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Tradição agregadora

Há quase três décadas, a pintora Tomie Ohtake e os dois filhos, Ruy e Ricardo Ohtake, reúnem-se aos domingos na casa dela, em São Paulo, para almoçar, confraternizar e reforçar laços familiares

J. A. Dias Lopes

Ricardo D'angelo

A pintora Tomie Ohtake e os dois filhos, Ruy e Ricardo Ohtake

Todos os domingos, a genial pintora Tomie Ohtake - primeira-dama das artes plásticas nacionais e um dos grandes presentes que o Japão já deu ao Brasil - reúne- se com a família em São Paulo para um demorado almoço. Começa por volta das 13h30 e se estende até as 8 da noite. Realiza-se há quase três décadas, sempre na casa da anfitriã. Além dela, que nasceu na cidade de Kyoto e se mudou para São Paulo em 1936, aos 23 anos de idade, comparecem seus dois filhos arquitetos: Ruy Ohtake, acompanhado dos filhos Elisa e Rodrigo, e Ricardo Ohtake, com Marcy, sua mulher. Às vezes, a refeição conta com a presença de amigos próximos, como Emílio Kalil, ex-diretor dos teatros municipais de São Paulo e do Rio de Janeiro, e Alexandre Schneider, o secretário municipal da Educação paulistana.

No mês passado, Yuko Hasegawa, curadora do Museu de Arte Contemporânea de Tóquio, em visita ao Brasil, também dividiu a mesa com a família. O almoço foi instituído por uma razão circunstancial. Aos domingos, Ruy ficava com Elisa, a filha recém-nascida, hoje com 27 anos, fruto de seu casamento com a atriz Célia Helena, de quem acabara de se separar. O programa era levar a criança para visitar a avó. Conclusão: o filho acabava almoçando na casa da mãe. O encontro atraiu o irmão Ricardo e, a seguir, os demais membros do clã. Tomie é uma criatura agregadora. Todos os descendentes a admiram por essa virtude. Também ressaltam que "a suavidade e a força sempre tiveram para ela, na arte e na vida, o mesmo significado". Além disso, é excelente cozinheira, embora já não seja assídua ao forno e o fogão. Sabe preparar tanto pratos japoneses como brasileiros.

No primeiro caso se encontra o tirashizushi, que Ruy considera sua "receita de família". Define-o como "uma espécie de risotto japonês". No cardápio brasileiro, figuram a moqueca baiana de peixe ou siri e a galinha ao molho pardo. Mas a refeição dominical sempre inicia com especialidades asiáticas: algas e peixinhos secos, de preferência. "São almoços lindos, não só pela comida, mas pelo ato de confraternização e reforço dos laços familiares", diz Ruy, gourmet experiente, do tipo que viaja para comer bem, mas arredio ao forno e fogão. Antes de mudar para o amplo apartamento onde mora, no bairro paulistano dos Jardins, em prédio que projetou, ele eliminou a cozinha. Hoje, mantém em casa apenas uma pia e uma geladeira. Todas as refeições são feitas em restaurantes. Entretanto, em sua opinião, nenhuma se compara ao almoço de domingo na casa da mãe.

Veja mais em RECEITA DE FAMÍLIA

TIRASHIZUSHI

Publicada na edição 187 (Maio/2008) da Gula


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