Segredos do sucesso
J. A. Dias Lopes
Há tempos consolidada e líder de mercado, com a circulação voltando a crescer e um faturamento publicitário que cruza os dedos para não dar inveja, GULA chega aos 16 anos de idade. O tempo passou rápido. A revista surgiu no início da década de 90, numa época em que poucos acreditavam na possibilidade de sucesso, no Brasil, de um veículo dedicado exclusivamente à enogastronomia. Anteriores lançamentos haviam malogrado. Mas era preciso apresentar à população os novos produtos que estavam chegando ao país com a abertura das importações e também os ingredientes nacionais, oriundos de diferentes regiões, que uma renovação culinária, deflagrada em São Paulo e no Rio de Janeiro, começava a usar.
GULA se dispôs a cumprir esse papel. Ao mesmo tempo, valorizou os profissionais da culinária, de um jeito que nenhum órgão de imprensa fizera. Os chefs passaram a assinar reportagens na revista e ter seus nomes, assinaturas e fotos ao lado das receitas. Além disso, deixaram de se enclausurar na cozinha para freqüentar o salão, conhecer a clientela e trocar idéias com ela. O maître recebeu o destaque que seu ofício merece. O sommelier, figura até então praticamente desconhecida, virou personagem importante do restaurante e colaborador da seção de vinhos da revista.
Enfim, GULA abriu um mercado no qual hoje podem trafegar outros veículos. Foi por isso - e também por jamais abrir mão da qualidade da informação, textos, receitas e, sobretudo, das imagens dos pratos - que GULA deu certo. Não por acaso, esta edição é histórica. Além de festejar o aniversário da revista, comemora os 200 anos da transmigração de dom João VI e a corte para o nosso país, escapando das tropas francesas que, sob o comando do general Andoche Junot, tomaram Lisboa. O leitor dirá que estamos um pouco atrasados. Realmente, o bicentenário do desembarque no Rio de Janeiro, do príncipe regente e depois rei de Portugal, Brasil e Algarves, foi a 7 de março de 1808. Acontece que transferimos a nossa celebração para junho por ser o mês no qual GULA completa 16 anos de circulação regular - e a festa será temática. Entretanto, tranqüilizem-se os convidados. Ninguém se verá obrigado a comparecer com o velho casaco de bolsos enormes, usado por dom João VI, ou a farda vermelha com a qual ele aparecia em ocasiões especiais, nem com o vestido de cauda roçagante e bordada a ouro da mulher dele, a espanhola dona Carlota Joaquina.
Mas todos saborearão pratos da época, entre os quais o arroz de chouriço que ilustra a capa desta edição, uma das preferências gastronômicas do soberano cuja vinda até nós lançou as bases da formação de uma nova nação. A receita ilustra a reportagem sobre ele, escrita por este redator, com fotos de Codo Meletti e produção de Beth Freidenson. Com o desembarque de dom João VI, o Brasil se libertou do espartilho monopolista português, incorporando-se ao ordenamento mundial de produção, comércio e consumo. E era inevitável que essa virada radical influísse na arte culinária, associada ao fato de que a corte trouxe contribuições fundamentais ao desenvolvimento da cozinha nacional evocadas nas páginas desta GULA.
GULA se dispôs a cumprir esse papel. Ao mesmo tempo, valorizou os profissionais da culinária, de um jeito que nenhum órgão de imprensa fizera. Os chefs passaram a assinar reportagens na revista e ter seus nomes, assinaturas e fotos ao lado das receitas. Além disso, deixaram de se enclausurar na cozinha para freqüentar o salão, conhecer a clientela e trocar idéias com ela. O maître recebeu o destaque que seu ofício merece. O sommelier, figura até então praticamente desconhecida, virou personagem importante do restaurante e colaborador da seção de vinhos da revista.
Enfim, GULA abriu um mercado no qual hoje podem trafegar outros veículos. Foi por isso - e também por jamais abrir mão da qualidade da informação, textos, receitas e, sobretudo, das imagens dos pratos - que GULA deu certo. Não por acaso, esta edição é histórica. Além de festejar o aniversário da revista, comemora os 200 anos da transmigração de dom João VI e a corte para o nosso país, escapando das tropas francesas que, sob o comando do general Andoche Junot, tomaram Lisboa. O leitor dirá que estamos um pouco atrasados. Realmente, o bicentenário do desembarque no Rio de Janeiro, do príncipe regente e depois rei de Portugal, Brasil e Algarves, foi a 7 de março de 1808. Acontece que transferimos a nossa celebração para junho por ser o mês no qual GULA completa 16 anos de circulação regular - e a festa será temática. Entretanto, tranqüilizem-se os convidados. Ninguém se verá obrigado a comparecer com o velho casaco de bolsos enormes, usado por dom João VI, ou a farda vermelha com a qual ele aparecia em ocasiões especiais, nem com o vestido de cauda roçagante e bordada a ouro da mulher dele, a espanhola dona Carlota Joaquina.
Mas todos saborearão pratos da época, entre os quais o arroz de chouriço que ilustra a capa desta edição, uma das preferências gastronômicas do soberano cuja vinda até nós lançou as bases da formação de uma nova nação. A receita ilustra a reportagem sobre ele, escrita por este redator, com fotos de Codo Meletti e produção de Beth Freidenson. Com o desembarque de dom João VI, o Brasil se libertou do espartilho monopolista português, incorporando-se ao ordenamento mundial de produção, comércio e consumo. E era inevitável que essa virada radical influísse na arte culinária, associada ao fato de que a corte trouxe contribuições fundamentais ao desenvolvimento da cozinha nacional evocadas nas páginas desta GULA.
J. A. Dias Lopes jadiaslopes@terra.com.br
Publicada na edição 188 (Junho/2008) da Gula
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